O que é Aprendizagem Rizomática e como ela pode transformar os percursos na escola
A aprendizagem nem sempre segue um caminho único e previsível. Uma pergunta pode levar a outra, um projeto pode aproximar áreas aparentemente distantes e uma experiência pode despertar interesses que não estavam previstos no ponto de partida. É a partir dessas múltiplas possibilidades de conexão que se desenvolve a Aprendizagem Rizomática, conceito que inspira a proposta pedagógica da Rhyzos. O próprio nome da instituição remete à palavra grega associada à ideia de raíz.
A concepção parte da metáfora do rizoma, caule geralmente presente em algumas plantas que se espalha em diferentes direções, dando origem a novas raízes e brotos. Na filosofia, os pensadores franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari utilizaram essa imagem para representar formas de organização constituídas por múltiplas conexões, sem um centro único ou uma hierarquia rígida.
Aplicada à educação, essa metáfora inspira uma compreensão da aprendizagem como um processo vivo, no qual os conhecimentos não precisam existir de forma isolada. Um projeto sobre alimentação, por exemplo, pode envolver Ciências, Matemática e Geografia. Ao mesmo tempo, as perguntas que surgem durante a investigação podem abrir novas possibilidades e levar a descobertas que não estavam previstas inicialmente.
Isso não significa que os estudantes aprendem sem planejamento ou que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) deixe de ser uma referência. Os objetivos de aprendizagem continuam orientando o trabalho pedagógico, mas os caminhos percorridos para alcançá-los podem assumir diferentes formas.
Como a Aprendizagem Rizomática acontece?
A Aprendizagem Rizomática pode ganhar forma por meio de projetos, investigações e experiências que partem de questões relevantes. Com uma participação mais ativa, os estudantes são convidados a observar, levantar hipóteses, buscar informações, testar ideias, estabelecer conexões e compartilhar descobertas.
Nesse percurso, a mediação dos professores é essencial. São os educadores que ajudam a formular perguntas, oferecem repertório, propõem desafios e acompanham o desenvolvimento das investigações. Também cabe a eles identificar conexões que possam ampliar o trabalho e garantir que as experiências permaneçam relacionadas aos objetivos educacionais.
A abordagem reconhece ainda que diferentes estudantes podem construir caminhos distintos diante de um mesmo tema. Enquanto um grupo se interessa pelos impactos ambientais de determinada questão, outro pode investigar suas dimensões sociais, históricas ou culturais. Esses diferentes pontos de entrada enriquecem a aprendizagem ao permitir o encontro entre conhecimentos e perspectivas diversas.
Na Rhyzos, aprender é construir conexões. A Aprendizagem Rizomática reconhece que estudantes, professores, currículo e experiências podem se relacionar de diferentes maneiras ao longo do percurso. É a partir desses encontros que surgem novas perguntas, descobertas e aprendizagens, muitas delas construídas ao longo do próprio percurso.