<a href="https://rhyzos.com/category/gestao-escolar/" rel="category tag">Gestão escolar</a>

Valorizar professores e lideranças exige uma boa experiência de trabalho

Compartilhe:

As instituições de ensino têm se dedicado cada vez mais a atrair bons professores e lideranças, assim como em fazer com que esses profissionais queiram permanecer na escola. Apenas um bom salário já não garante o sucesso da missão.

Quando professores e coordenadores deixam a instituição com frequência, os impactos vão além dos custos de novas contratações. A rotatividade pode trazer uma série de consequências, entre elas interromper projetos pedagógicos, enfraquecer vínculos construídos com estudantes e famílias e, no limite, dificultar a consolidação de uma cultura compartilhada pela equipe.

“Na educação, as pessoas são parte essencial daquilo que entregamos. Podemos ter um bom projeto pedagógico, bons processos e recursos, mas são professores e lideranças que transformam tudo isso em experiência para os alunos. Por isso, cuidar da experiência desses profissionais também é uma decisão estratégica para a instituição”, afirma Maria Cláudia Amaro, CEO do Grupo Rhyzos.

É nesse contexto que conceitos como employer branding, relacionado à forma como a instituição se posiciona como lugar para trabalhar, e employer experience, ligado à experiência que oferece aos profissionais no dia a dia, ganham relevância também na gestão educacional.

Da promessa feita na contratação à experiência dentro da escola

É justamente a coerência entre o que a escola apresenta no processo de atração e o que o profissional encontra no cotidiano que ajuda a construir uma experiência capaz de favorecer sua permanência.

Uma instituição pode comunicar que valoriza autonomia, colaboração, inovação ou desenvolvimento profissional. Mas esses atributos precisam aparecer concretamente na forma como um novo professor é acolhido, na clareza sobre o que se espera dele, no apoio que recebe das lideranças, nas oportunidades de desenvolvimento e nas condições oferecidas para realizar seu trabalho.

“Não adianta dizer no processo seletivo que a instituição valoriza autonomia e colaboração se, quando o profissional chega, encontra uma cultura que não oferece espaço para participar, propor ou trocar. A experiência precisa confirmar, no dia a dia, aquilo que apresentamos como nossos valores”, diz Maria Cláudia.

Por isso, a jornada do profissional começa antes mesmo de sua contratação. A maneira como a instituição apresenta sua cultura, conduz o processo seletivo e estabelece expectativas já ajuda a formar a percepção sobre aquele ambiente de trabalho.

Depois da chegada, o desafio é fazer com que essa percepção se confirme na rotina. Um processo de integração bem estruturado pode ajudar o profissional a compreender não apenas procedimentos e responsabilidades, mas também o projeto pedagógico, os valores da instituição e a forma como as relações são construídas.

Ao longo do tempo, outros elementos passam a ser determinantes para que essa identificação continue existindo, como a qualidade da relação com as lideranças, as possibilidades de aprendizagem, a autonomia para trabalhar, o reconhecimento e o espaço para contribuir.

Valorização também se constrói no cotidiano

Para professores, valorizar o profissional pode significar ter espaços de troca com outros educadores, receber orientação quando necessário, participar de formações conectadas aos desafios que encontram em sala de aula e enxergar possibilidades de desenvolvimento.

Para coordenadores e demais lideranças, significa também ter clareza sobre suas responsabilidades, apoio para tomar decisões e espaço para contribuir com os rumos da instituição.

Processos organizados, acesso aos recursos necessários para o trabalho, comunicação clara e ambientes que favoreçam a colaboração podem parecer aspectos essencialmente operacionais, mas interferem diretamente na experiência dos profissionais. É na combinação desses elementos que os valores anunciados pela instituição deixam de ser apenas discurso e passam a fazer parte do cotidiano das pessoas.

Dados recentes ajudam a dimensionar a importância desse conjunto de fatores. A edição de 2024 da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (TALIS), realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostra que, no Brasil, 44% dos professores afirmam estar satisfeitos com suas condições de trabalho, considerando aspectos que vão além da remuneração. A pesquisa aponta ainda, considerando os países participantes, que professores satisfeitos com essas condições têm quase 40% menos probabilidade de pensar em deixar a profissão nos cinco anos seguintes.

A TALIS também relaciona maior satisfação profissional a fatores presentes no cotidiano das escolas, como boas relações entre os profissionais, confiança nas lideranças e feedbacks considerados úteis. São aspectos que ajudam a mostrar que a permanência de bons profissionais não depende de uma única ação, mas de como diferentes dimensões da experiência de trabalho se combinam ao longo do tempo.

Uma experiência que precisa ser construída de forma intencional

Pensar em employer experience na educação, portanto, não significa simplesmente transportar práticas do mundo corporativo para dentro das escolas. Significa olhar para a jornada de professores e lideranças considerando as particularidades do trabalho educacional.

Isso exige compreender o que esses profissionais encontram desde o primeiro contato com a instituição, como são recebidos, de que maneira trabalham e se relacionam, quais oportunidades têm para aprender e como percebem seu papel no projeto da escola.

Quando existe coerência entre cultura, discurso e prática, a instituição fortalece sua capacidade não apenas de atrair profissionais, mas de criar um ambiente em que eles encontrem razões para permanecer, se desenvolver e contribuir para a construção do projeto educacional.

Compartilhe:

Comente

Ainda não possui comentários

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Recentes

Vender ou se associar a um grupo educacional exige olhar além dos números

Leia mais

Valorizar professores e lideranças exige uma boa experiência de trabalho

Leia mais

Inovação na escola vai além da tecnologia e exige mudanças na forma de ensinar e aprender

Leia mais

O que é Aprendizagem Rizomática e como ela pode transformar os percursos na escola

Leia mais

Com inteligência artificial, saber perguntar ganha ainda mais importância

Leia mais

Ebook

O Professor 5.0

Postagens Populares

1

ChatGPT: 10 prompts poderosos para acelerar sua aprendizagem

Leia mais
2

Como garantir a inclusão de alunos neuroatípicos na escola

Leia mais
3

O “S” de ESG – e o que isso significa para a educação

Leia mais
4

Educação holística: a importância de considerar o aluno em sua totalidade no processo educativo

Leia mais